Lorena passou correndo com as mãos no muro. As pontas dos dedos queimavam no atrito da pele com a parede pintada. Corria freneticamente, de olhos fechados.
Quando o muro acabou ela percebeu que restavam pedacinhos de tinta em sua mão.
A garota esqueceu a mão no bolso até voltar pra casa. Quando chegou, bateu as pontas dos dedos, e guardou o que restou do muro numa caixinha de música.
6.2.08
24.1.08
No apartamento
Eles tinham uns recortes de jornal e umas contas pra pagar pendurados na parede descascada.
Desde que começaram a morar ali juraram que iriam pintar aquela parede de vermelho, mas nunca tinham nem vontade nem dinheiro. O jeito foi improvisar.
Desde que começaram a morar ali juraram que iriam pintar aquela parede de vermelho, mas nunca tinham nem vontade nem dinheiro. O jeito foi improvisar.
4.1.08
Menina Bonita
Ela tinha um laço de fita preto, que fazia um belo contraste com seus cabelos laranjas. Sentia-se sozinha por ser diferente. As pessoas não gostavam das suas sardas e tinham inveja de seus olhos azuis. Um dia ela encontrou um garoto de cilhos amarelos e olhos verdes como o limo das pedras do poço. Casaram-se e tiveram dois filhos de cabelos pretos e olhos marrons. Por ironia do destino, as crianças puxaram aos avós.
14.12.07
Cds
O garoto quase nunca saía de casa. Passou a vida inteira num universo só dele. Trancado no quarto com papel de parede envelhecido, uma escrivaninha atacada por cupins, um tapete rasgado pelos anos de uso contínuo e uma janela que nunca era aberta. Mas ele amava sua coleção de cds. Amava mesmo; e por isso viveu mais verdadeiramente do que muita gente por aí.
6.12.07
Na gaveta
Ela guardava na gaveta uns papéis rabiscados, umas fotos amassadas, umas cartas antigas e uns amores não vividos.
Sempre que precisava desprender lágrimas cheias de espinhos da garganta, ela abria a gaveta e inalava o cheiro de vida vivida pela metade.
Sempre que precisava desprender lágrimas cheias de espinhos da garganta, ela abria a gaveta e inalava o cheiro de vida vivida pela metade.
4.12.07
Mundo de mentira
Ele passou muito tempo escrevendo uma peça teatral. Sem perceber, passou a encená-la todos os dias.
Tornou-se um grande ator. Um ator da vida real. E fez das mentiras sua base.
Tornou-se um grande ator. Um ator da vida real. E fez das mentiras sua base.
3.12.07
Um esbarrão
Pedro e Júlia não se conheciam. Tropeçaram um no outro por pura distração. Os olhos encontraram-se, entre as lamentações e os tormentos de toda uma cidade. Pedro pediu desculpas; Júlia o desculpou. Olharam-se pela ultima vez e foram embora. Eles estavam apaixonados.
Assinar:
Comentários (Atom)